quarta-feira, 13 de novembro de 2019


A minha terra é a cama onde me deito,
a mesa dos manjares e da tristeza,
o braço amigo mesmo longe,
mesmo frio.
A minha história é a da outra
que foi pelos caminhos
do cristal e da ferrugem
e voltou pálida e estranha,
com olhos plenos de paisagens
onde navegavam árvores ardentes.
Os ossos das casas espreitam
o latido dos cães,
a pressa das lagartixas.
Mas há o debrum azul
a serenar tempestades,
o oiro matinal a engravidar searas,
o luar a amparar os fugitivos.
Assim a terra onde me vivo,
me prossigo.
Por vezes canto e espero.
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 Quitério, Licínia. Travessia. S/c.: Poética Edições, 2019, p 26.
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