quinta-feira, 31 de outubro de 2019


Jamais tive eu amor senão por ti.
Paixões o vento as trouxe e as levou
Qual ave migratória que pousou
Em temporário ninho onde vivi,
Amor, porém, é ave que povoa
O coração da gente e nele exulta
E ocupa de outra ave mais estulta
O coração partido e o perdoa.
Mas que fazer, se amor o dei ao vento
E sinto o coração ninho vazio
E sinto um grão calor e grande frio
E amo em oração no meu convento?
Eu amo quem amei e me deixou;
Não amo quem pousou - só quem voou.
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    Jonas, Daniel. Oblívio. Porto: Assírio & Alvim, 2017, p 50.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2019


Aqui nesta tebaida, ouço a paz.
Aceito a tua luz, o teu negrume,
Meus olhos são pastagens p'ra teu estrume,
Aceito o que me deres e o que não dás.
Eu ouço a metafísica das sarças.
As bruxas megalíticas das argas,
Reviro pedras, lágrimas amargas,
Procuro-te nos paus, nas rãs, nas esparsas.
Aceito que te busque e não me fales.
Onde estarás: na urze, na perpétua,
No verso mais perfeito, em rima incerta?
Aceito ouvir-te e tudo tu me cales.
À uma és e não; o tudo e o quase.
Em toda a parte estás, eclipse e fase.
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  Jonas, Daniel. Oblívio. Porto: Assírio & Alvim, 2017, p 41.
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terça-feira, 29 de outubro de 2019

 O ROIZ, 1º ENCONTRO DE MÚSICA E POESIA LUSO-HISPANO-AMERICANO
DECORREU NOS DIAS 18 E 19 DE OUTUBRO DE 2019 E FOI ACONTECENDO AO LONGO DE VÁRIOS LOCAIS HISTÓRICOS DA CIDADE DE CASTELO BRANCO.
A ESTE EVENTO, QUE SAUDAMOS PELA QUALIDADE E PELA ORGANIZAÇÃO, ESTIVERAM PRESENTES ESCRITORES E MÚSICOS DE VÁRIOS PAÍSES, BEM COMO PERSONALIDADES DA ACADEMIA, DA POLÍTICA E DO SOCIAL. 
FELICITAMOS A CUIDADA ORGANIZAÇÃO!
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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

A Junta de Freguesia de Castelo Branco e a Câmara Municipal de Castelo Branco organizam, em conjunto, nos próximos dias 18 e 19 de outubro, a primeira edição do “ROIZ, Encontro de Música e Poesia Luso-Hispano-Americano”, em Castelo Branco. 
A génese deste evento está intimamente ligada aos vínculos criados com a cidade de Salamanca desde o início do processo que culminou com a realização e atribuição do I Prémio Internacional de Poesia António Salvado.
O Programa tem a sua abertura oficial prevista para as 18h00 do dia 18 de outubro, no Jardim do Paço Episcopal, com a receção a todos os convidados e participantes no Encontro por parte de Leopoldo Rodrigues, Presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco e de Luís Correia, Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco.
Às 18h15, no mesmo local, tem começo o evento musical e poético que estará dividido em três momentos.

As atividades do dia 19 de outubro iniciam-se logo às 10h00 da manhã, na Casa do Arco do Bispo, com o Passeio dos Poetas que se estenderá, durante o resto da manhã pela Zona Histórica de Castelo Branco e que culminará no Parque da Cidade, na Mata dos Loureiros. Durante esse período, além da declamação de poesia, há lugar para uma revisitação teatral à obra dos poetas quinhentistas, para uma plantação simbólica de duas árvores na Mata dos Loureiros e para pequenos apontamentos musicais que medeiam as várias atividades.
O ROIZ terminará com a Cerimónia da Entrega do Prémio Internacional de Poesia António Salvado/Cidade de Castelo Branco, que está marcada para as 15h00 da tarde de 19 de outubro.
Do lote de artistas musicais constam os seguintes nomes: Miguel Ramalho (flauta transversal), Filipa Castilho (violoncelo), Francisco Martins (Acordeão), Orquestra Viola Beiroa, Grupo de Cavaquinhos da USALBI, Grupo de Adufeiras da USALBI, Ana Paula Gonçalves, Custódio Castelo, José Raimundo, Miguel Carvalhinho, Pedro Ladeira.

Alfredo Pérez Alencart (Perú-Espanha), Álvaro Mata Guillé (Costa Rica), Ana Maria Puga (Portugal), António Salvado (Portugal), Artur Coimbra (Portugal), Carlos D’Abreu (Portugal), David Cortés Cabán (Porto Rico), Gerardo Rodríguez (México), Gisela Ramos Rosa (Portugal), José Pires (Portugal), Juan Carlos Martín Cobano (Espanha), Manuel Costa Alves (Portugal) Manuel Silva-Terra (Portugal), Maria João Pessoa (Portugal), Pompeu M. Martins (Portugal), Teresa Macedo (Portugal) e Victor Oliveira Mateus (Portugal) são os poetas que vão participar no ROIZ.
Participam ainda o Grupo de Teatro Váatão, de Castelo Branco, a Prof.ª Maria de Lurdes Gouveia Barata e o poeta e investigador Pedro Salvado. 
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quarta-feira, 16 de outubro de 2019


Tanner pensait que décidément il ne comprenait rien à Gilmour. Si les faits d'une vie forgent les traits d'un visage, alors celui de Gilmour était un véritable puzzle. S'il était vrai que l'on pouvait tout lire à partir des rides et des cicatrices jusqu'à la forme des yeux et le repli de la bouche, alors ce visage ne disait quand même rien à Tanner. Tous ces points de repère étaient devenus anonymes dans le cas de Gilmour. Ses traits avaient la couleur terne de l'éphémère. Gilmour était insaisissable.
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 Mahloub, Jamal. La navigation du faiseur de pluie. Arles: Actes Sud, 1998, p 180.
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domingo, 13 de outubro de 2019

"A Mulher-Bala e outros contos" de Cláudia Lucas Chéu (Editora Labirinto, coleção contramaré nº 25).
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Apresentação, a 12 de outubro de 2019, na Livraria Almedina (Rua da Escola Politécnica, Lisboa), do livro A mulher-bala e outros contos de Cláudia Lucas Chéu, publicado pela Editora Labirinto na coleção contramaré com o Nº 25. Da esquerda para a direita da foto: Albano Jerónimo, Maria Quintans, Cláudia Lucas Chéu, Miguel Real, Victor Oliveira Mateus, Maria João Cabrita e Mag Rodrigues,
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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

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   A margem, por onde te defines, tem agora uma transparência que julgavas inalcançável. Metes as mãos na tessitura da cidade e elas regressam mais limpas do que no tempo em que misturavas monstros, assombrações, reflexos enviesados com desejos antecipadamente condenados. A margem, que tão bem acabaste desenhando, não se assemelha a outras apregoadas no decoro das praças, nem reproduz aquilo que contesta, com seus ídolos, seus ritos, suas máscaras, que, vendo bem, nunca te disseram nada e apenas te envenenavam a delicada beleza do tédio.
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© Victor Oliveira Mateus
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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

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                Adágio para o fim dos tempos
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                                  para Maria João Pires
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Gosto de coisas simples.
Do crepitar do fogo ao rés da terra.
Do raiar do sol ao fundo,
por entre as árvores, num ritual
pagão que me adensa a vida
e a todos me une, num misto
de silêncio e valores que não cedo.
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Gosto de tudo quanto diz
sem o estridor do enfeite
nem a rouquice desses ecos
sempre emaranhados
num turbilhão de ruídos,
que, ardilosos, tecem armadilhas
para o fim dos tempos.
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E gosto também do cair do dia,
desse adágio que me persegue
e na memória decifro,
como só às coisas simples faço
sem adornos nem avidez.
Caminho que grande se tornou;
vastidão urdida a seco
com fios de brandura e pequenez.
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© Victor Oliveira Mateus (Inédito)
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Saudade
Je vais d'une source tarie
vers les eaux du fleuve
je n'ai pas encore tout dit
de cette longue histoire
il reste une part d'obscur au fond du poème
je marche...


  Jesus-Bergey, Josyane de. alípio. S/c.: Éditions Vagamundo, 2016, p 51.
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Je suis celle qui vient
de l'autre pays
partagée entre le père
et l'enfance

Je me sais sans terre
ni ciel
n'appartenant qu'à l'instant
qui me voit vivre


  Jesus-Bergey, Josyane de. alípio, S/c.: Éditions Vagamundo, 2016, p 61.
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domingo, 6 de outubro de 2019



    O livro alípio de Josyane de Jesus-Bergey apresenta-se-nos, num primeiro momento, como uma cartografia de uma procura e como a interiorização de um enraizamento. Contudo, quer uma quer outro não se subsumem a uma qualquer itinerância de aspeto geográfico ou topográfico. O périplo levado a cabo pela poeta situa-se antes naquilo a que Simone Weil tão bem desenvolveu no seu L’ enracinement – uma procura de raízes que não se limita ao fisicismo do aqui, mas inclui igualmente outras dimensões: afetos (p 76, p 86), sistemas de valores (p 30, p 38, p 74) códigos linguísticos (p 22, p 24), tomadas de consciência (p 46, p 54), etc.
  A referência a Miguel Torga na epígrafe do livro (p 12), nome previamente encumeado por Nuno Júdice em nota introdutória (pp 5-6), atira-nos de imediato para uma quádrupla tecedura, cujos elos irrompem também neste livro de Josyane de Jesus-Bergey: a ligação à terra (p 28, p 48, p 72); a procura de uma autenticidade no modo de ir sendo (p 22, p 80, p 90)); a acuidade ao humano nas suas múltiplas dimensões e atividades, sobretudo a do trabalho (p 42, p 54, o penúltimo verso, p 68);  e, finalmente, o comprometimento com o mundo dos afetos ( p 58, sobretudo a última estrofe do poema). Mas não é apenas Torga que espreita por detrás desta poesia: outras vozes, sem que saibamos como, assomam à porta destes versos: Pascoaes, Aquilino, Ferreira de Castro e até um certo Camilo. No entanto, urge enfatizar que o tangenciar Pascoaes tem apenas a ver com a envolvência terrosa da paisagem (“Sou como tu/ uma transmontana/ de xisto e granito” p 72) e não com a dimensão ontológica da saudade: em Josyane de Jesus-Bergey a saudade é de passado, de um passado irremediavelmente perdido e que apenas pode ser vivenciado por imaginação e conjetura ( E tu permaneces aqui/ imóvel/ de braços abertos/ nos teus olhos reflectem-se/ o vale/ as suas vinhas/(…)/ Tudo se conjuga/ para me contar// As minhas raízes/ A minha vida/ Este país do meu pai!” p 90).
   Associada a esta ânsia de recriar, na mente, um dada dimensão perdida da temporalidade (o passado), está associada a necessidade de entender o seu presente, de entender o sentido do seu estar-aqui, e isto poderia tentar-nos a enquadrar esta procura numa aventura contingente e individualista, tentação até passível de ser suportada por alguns poemas ( p 20, p 80, p 82), todavia, a passagem do individual ao universal transpassa todo o livro, aliás, essa universalidade aparece muitas vezes até com um caráter fusional (“Já não há estrangeiro/ a sombra apagou-se/ e ouço-te” p 28; “os odores misturados/ do teu país ao meu” p 64) e não é só esta busca que serve de paradigma às outras que constantemente empreendemos é também a própria espacialidade, que pelo desalento e pela nostalgia da caminhante acaba por se tornar coisa imprecisa e de somenos valor (“ Estou aqui, Alípio/ entre duas fronteiras” p 66). Por tudo isto, poder-se-á dizer que a procura da poeta, bem como a interpretação, muitas vezes dolorosamente interiorizada, que dela faz, não só enformam os versos que lhe aparecem, mas também revelam essa zona de mistério e de obscuridade que essa sua procura, ou melhor, que a nossa procura, não conseguirá jamais colmatar: “ desta longa história/ permanece algo de obscuro no fundo do poema/ eu caminho… “
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© Victor Oliveira Mateus
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sábado, 5 de outubro de 2019

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                                          Noite Vertical


                                                         lembrando S. João da Cruz


 Noite
companheira de delírios
incrustados no branco da casa;
cercada de fogachos e lírios
que o obscuro sempre vasa.
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Noite
insurreta, persistente,
alvo em senda por mim percorrida,
que transforma no meio da gente
o negro em tons de vida.
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Noite
como um terreno pejado
por fantasmas e assombrações,
lavras em oiro com teu arado
pó que cobre os corações.
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Vem, ó noite vertical,
antigo sopro conducente ao dia!
Vem! Transmuta o desespero
num oceano d’Alegria.
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Mateus, Victor Oliveira. Llama de Amor Viva, Antología en homenaje a San Juan de la Cruz. Salamanca: Edifsa, 2019, p 192.
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sexta-feira, 4 de outubro de 2019


                          Fabula

Volle provare la dissoluzione
della carne. Provarla con coscienza.
Rendersi terra fertil, ma senza
morire; vivo senza soluzione.


    Galloni, Gabriele. Creatura breve. Roma: Edizioni Ensemble, 2018, p 10.


            Pro Verbis # 2

Su questa terra secca che si sbriciola
a ogni minima impronta di passaggio
vivente; a dirsi che un nuovo passaggio
(sia pure lontanissimo) è possibile.


     Galloni, Gabriele. Creatura breve. Roma: Edizioni Ensemble, 2018, p 11.
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quinta-feira, 3 de outubro de 2019


                  Fábula

Queria tentar a dissolução
da carne. Prová-la com consciência.
Tornar-se terra fértil, mas sem
morrer; vivo sem solução.


   Galloni, Gabriele. Creatura breve. Roma: Edizioni Ensemble, 2018, p 10 (Tradução de Victor Oliveira Mateus).
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              Pro Verbis  # 1


Nesta terra árida que se desfaz
ao mínimo sinal de uma viva passagem,
dizendo-nos que uma nova passagem
(ainda que longínqua) é possível.


    Galloni, Gabriele. Creatura breve. Roma: Edizioni Ensemble, 2018, p 11 (Tradução de Victor Oliveira Mateus).
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quarta-feira, 2 de outubro de 2019


   Entretanto, o tempo passa a correr, a sua batida silenciosa marca, cada vez mais apressada, o compasso da vida; não pode parar nem por um instante, nem sequer para olhar para trás. "Pára, pára!", apetece-nos gritar, mas percebemos que é inútil. Tudo se afasta a correr: os homens, as estações, as nuvens; e não serve de nada agarrarmo-nos às pedras, resistir em cima de algum rochedo, os dedos exaustos abrem-se, os braços pendem inertes, é-se de novo arrastado pelo rio, que parece lento, mas nunca se detém.
   De dia para dia, Drogo sentia aumentar esta misteriosa ruína, e em vão tentava contê-la. Na vida uniforme da Fortaleza faltavam-lhe pontos de referência e as horas fugiam-lhe antes de que as pudesse contar.
   Depois havia aquela esperança secreta pela qual Drogo dissipava a melhor parte da vida. Para a alimentar sacrificava levianamente um mês após o outro, e nunca eram suficientes. O Inverno, o longo Inverno da Fortaleza, não foi mais do que uma espécie de adiantamento. Terminado o Inverno, Drogo esperava ainda.
(...)
   Pouco a pouco, a sua fé esmorecia. É difícil acreditar numa coisa quando estamos sós e não podemos falar disso com ninguém. Foi precisamente nessa altura que Drogo se apercebeu de como os homens, por muito que se estimem, permanecem sempre distantes; que se alguém sofre, o sofrimento é totalmente seu, mais ninguém pode tomar para si uma pequena parte; que se alguém sofre, não é por isso que os outros sentem dor alguma, mesmo que o amor seja grande, e é isso que causa a solidão.
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 Buzzati, Dino. O Deserto dos Tártaros. Barcarena: Marcador Editores, 2014, pp 209-210.
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terça-feira, 1 de outubro de 2019



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 Jessye Norman (15/09/1945 - 30/09/20199).

J.N. faleceu no passado dia 30 na sequência de um choque séptico motivado por um problema de saúde que contraíra em 2015. Ouvimo-la aqui no Lamento de Dido  da ópera Dido e Eneias de Purcell: é uma das mais belas árias de amor da História da Ópera, só comparável à morte de Isolda de Tristão e Isolda de Wagner. Aqui, Dido, após a partida de Eneias, reconhece o sem sentido da sua permanência no aqui e, chamando a sua serva Belinda, decide acolher a morte. É toda uma ária de rara beleza com a sublime expressividade da Jessye Norman.
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   Estendido na pequena cama, fora do halo de luz do candelabro a petróleo, enquanto fantasiava sobre a sua própria vida, Giovanni Drogo foi inesperadamente tomado pelo sono. No entanto, precisamente naquela noite - oh, se tivesse sabido talvez não tivesse tido vontade de dormir -, naquela mesma noite começava para ele a irremediável fuga do tempo.
   Até então avançara pela despreocupada idade da primeira juventude, uma estrada que às crianças parece infinita, pela qual os anos passam devagar e com passos suaves, de tal forma que ninguém os sente partir. (...) então o coração começa a bater de desejos heróicos e afectuosos, saboreia-se a expectativa das coisas maravilhosas que nos esperam mais adiante; não, ainda não se avistam, mas é certo, absolutamente certo, que um dia lá chegaremos.
(...) Assim se prossegue o caminho numa espera confiante, e os dias são longos e tranquilos, o Sol brilha alto no céu e parece que não tem mais vontade de descer ao entardecer.
   Mas a uma determinada altura, quase instintivamente, voltamo-nos para trás e vemos que uma cancela se fechou nas nossas costas, obstruindo o caminho de regresso. Então sentimos que alguma coisa mudou, o Sol já não parece imóvel, mas desloca-se rapidamente, ai de nós, nem temos tempo de o fixar (...): compreendemos que o tempo passa e que também a estrada um dia chegará ao fim (...) Mas Giovani Drogo naquele momento dormia alheado e sorria no sono como fazem as crianças.
   Passarão dias até que Drogo perceba o que aconteceu. Então será como um despertar. Olhará em seu redor, incrédulo...


 Buzzati, Dino. O Deserto dos Tártaros. Barcarena: Marcador Editora, 2014, pp 52-54.
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