sábado, 22 de maio de 2021


Prémio de Poesia Victor Oliveira Mateus
Regulamento II Edição - 2021
1 - O presente regulamento define as normas
que regem o concurso Prémio de
Poesia Victor Oliveira Mateus, instituído
pela Editora Labirinto.
2 - Este concurso, que terá a sua segunda
edição no presente ano, tem uma
periodicidade bienal.
3 - Objetivos
3.1 - Estimular a criação literária, bem como o
aparecimento de novos autores.
3.2 - Fomentar a criação poética, pretendendo
assim homenagear este importante
género literário.
4 - Participantes
4.1 - Podem participar na Segunda Edição do
Prémio de Poesia Victor Oliveira Mateus
poetas de todas as nacionalidades,
desde que a obra submetida a concurso
se apresente em língua portuguesa, em
qualquer das suas variantes.
4.2 - Não podem concorrer a este Prémio:
traduções, antologias e trabalhos já
premiados.
5 - Condições técnicas de participação
5.1 - Os poemários poderão ser de tema e
forma livres e não devem exceder 25
versos por página, até ao máximo de 50
páginas.
5.2 - Cada autor deverá submeter a concurso
um único trabalho inédito, não podendo
nenhum dos poemas aí incluídos ter já
sido editado quer em suporte de papel
quer digital.
5.3 - Não serão admitidos trabalhos
concorrentes a outros Prémios.
6 - Apresentação das obras e entrega
Os originais serão enviados, sob
pseudónimo, pelos candidatos para o
e-mail editoralabirinto@gmail.com e,
deverão ter em conta a seguinte
informação/anexos:
A) Anexo 1 (Obra)
B) Anexo 2 (Identificação do concorrente;
este segundo anexo será guardado,
sob sigilo, no Secretariado do Prémio,
pelo que o Júri não terá acesso a ele).
7 - Prémios
7.1 - O Prémio consiste na publicação do
projeto vencedor pela Editora Labirinto. O
autor premiado receberá 25 exemplares
da edição.
7.2 - O vencedor cede os direitos de autor à
Editora Labirinto, por um período de dois
anos a contar da data de edição.
8 - Júri
8.1 - O Júri da presente edição é constituído
por três (3) nomes reconhecidos da
Poesia e do Ensaio.
8.2 - O Júri não atribui prémios ex aequo,
podendo, no entanto, conceder Menções
Honrosas, caso assim o entenda.
8.3 - O Júri poderá decidir quaisquer casos
omissos neste Regulamento.
9 - Prazos
9.1 - O prazo para a admissão dos originais
inicia-se a 22 de maio, Dia do Autor
Português, e termina a 30 de outubro,
sendo o vencedor anunciado até finais de
dezembro.
9.2 - O livro será editado e apresentado até 25
de fevereiro de 2022, data de nascimento
do poeta Victor Oliveira Mateus.
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quinta-feira, 20 de maio de 2021


(...)
Andei guiado por ela, que me amava e coisa e tal,
mas não se casava comigo, eu não tinha eira nem beira,
estava comprometida com o Venceslau,
sapo-bronco que a tinha à trela,
    oferecia-lhe almoços e anéis nas festas populares
    com pirolitos e doce da Teixeira.
(...)

e eu não tinha nada para te dar,
a não ser amor,
não tinha emprego certo,
estava à espera que o "Notícias"
publicasse o anúncio de trabalho ideal.
(...)

Meti-me no fiat 600 sem acertar à primeira
com a chave na ranhura da ignição,
bêbado de pés gelados,
    porque o vinho verde é assim mesmo,
    gela os pés de uma pessoa a partir de horas ilícitas,
até que o carro pegou e dirigi-me para a Boavista,
desci a Rua Nossa Senhora de Fátima
com o cheiro do vazio às três da manhã,
parei numas obras à direita de quem desce,
havia lá mais dois carros,
uns andaimes e umas tábuas de construção.

Estavam ali duas mulheres,
pela cor dos lábios e o tamanho das saias na madrugada
eram da vida,

    como da vida é qualquer um àquela hora.
Vieram na minha direção e eu disse-lhes logo
para entrarem no fiat 600,
uma ao meu lado e a mais alourada no banco de trás,
a do banco da frente de cabelo preto pingão,
cheirava intensamente a perfume extra-doce
     e disse-me que eu já não conseguia endireitar
     o meu padrão de vida,
enquanto a outra, no banco de trás, olhava para a cena
e fungava para um lenço com as pestanas flácidas.
(...)
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 António Ferra. estrada de cinza. Leça da Palmeira: Eufeme Poesia, 2021, pp 16-19.
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terça-feira, 18 de maio de 2021


Está já à venda uma Antologia em que participo: Sou Tu Quando Sou Eu, Homenagem à Amizade, Prefácio e Coordenação da Profª Maria Teresa Dias Furtado. A obra foi publicada pela Poética Editora.
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quinta-feira, 13 de maio de 2021


 



Já à venda : "uma casa no outro lado do mundo" (Editora Labirinto, 2021) com Posfácio de Fernando Pinto do Amaral.
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Locais de venda:
Livraria online da Editora Labirinto
Lisboa: Leituria, Snob, Ferin, Tigre de Papel
Porto: Flanêur, Unicep
Aveiro: Livraria da Universidade de Aveiro
Vila Real: Traga Mundos
Livrarias Bertrand e Almedina nas diversas cidades e Plataforma Livreira Wook.
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A Apresentação do livro "uma casa no outro lado do mundo" decorrerá no dia 22, por zoom, a partir da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (Braga) e contará com as seguintes presenças: Alfredo Pérez Alencart (Espanha), Cláudia Lucas Chéu (Portugal), Isabel Aguiar (Portugal), Marta López Vilar (Espanha), Ângela Gentile (Argentina).
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Hora do evento: 19:00H hora de Portugal; 20:00H hora de Espanha; 23:00H hora da Argentina.
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            Coração Adiado

é tudo demais
mesmo o que é de menos
está tudo errado
mesmo o que é certo

é incerto falar
atirar palavras
ao ar
como um mágico
solta pássaros alados
para de imediato
os prender em agarrados gestos
e lhes roubar as asas

não sabes
que o voo é oficina de asas?

ao rés do chão do teu desconcerto
em asas quebradas
os pássaros repousam na escuridão

                   *

que ofício é esse
de rasgar com as mãos
palavras?

que ofício é esse
de deslumbrar os olhos
para depois os arrancar sem dó?

um oficiante arde em fogo interior
seu fogo que alastra

amedrontado em puro terror
se consome
na rosa em chama de um
coração adiado
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  Ana Mafalda Leite. Janela para o Índico, Poesia Incompleta (1984-2019). S/c.: Rosa de Porcelana Editora, 2020, pp 182-183 (Prefácio de Jessica Falconi).
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sexta-feira, 7 de maio de 2021


    Livro de Soror Saudade


diz-me ó alegria dos meus olhos de quantos azuis se desfaz o
mar de quanta leve neblina a tarde te leva diz-me porque partes
se o mar acendes ao partir diz-me ó alegria dos meus olhos se
eu te lembro devagar
ao anoitecer se me prolongas os passos se a memória te levanta em
torno se lembras o rosto da água atirado a cumes nesta ilha de
silêncio se lembras o fim da tarde
o meu anoitecer diz-me ó alegria dos meus olhos quantas
palavras não tem o silêncio e de quantos azuis o céu se
aconchega no mar - oh! estas nuvens intensas por sobre o tecto do
mundo pousando como vias lácteas de sonhos densos como
mantos de suave noite - porque eu vou nas nuvens poisada
porque eu regresso ao fim da tarde o coração de azul intenso -
diz-me ó alegria dos meus olhos
se divinhas meu rosto quieto na tardenoite levado o
mar abrindo-se infinito
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  Ana Mafalda Leite. Janela para o Índico, Poesia Incompleta (1984-2019). S/c.: Rosa de Porcelana Editora, 2020, p 82 (Prefácio de Jessica Falconi).
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domingo, 2 de maio de 2021


 Poema 6 do Ciclo Te adivinaba en todo, en todo te buscaba


Ave de presa aventurando el vuelo
volvió el amor. Reconocí el sonido
de sus alas al rozar la aterida
ceniza de mim labios.
Y acepté sus señales.
     No podía
no suceder. Mi juventud estaba
interrumpida.
Suspendida del aires.
Quieta en un fotograma. En una pausa.
Tal vez en un paréntesis,
entre dos signos nocturnales.


Fue necesario
activar sus colores. Meditarlos.
Asumir la propuesta. Entrar en la esperanza.
Había
infinitas razones para hacerlo.
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 Angelina Gatell. En Soledad, Con Ella - Antología 1948-2105. Madrid: Bartleby Editores, 2015, p 107 (Prólogo de Manuel Rico).
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sábado, 1 de maio de 2021


              Abuelos

La abuela y el abuelo
juntos pasean
cogidos de la mano
por la alameda.

El abuelo murmura:
"Qué bien le sienta
este pañuelo blanco
a mi morena!"

La abuela se sonroja:
"Si alguien te oyera...!"
Y la brilla la risa
como una estrella.

En cada arruga luce,
blanca, una perla
y en sus ojos se mece
la primavera.

La abuela y el abuelo
pasan y dejan
un rastro luminoso
por la alameda.


Angelina Gatell.  En Soledad, Con Ella - Antología 1948-2015. Madrid: Bartleby Editores, 2015, p 79 (Prólogo de Manuel Rico).
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