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terça-feira, 7 de agosto de 2018




                                    CLII

                           O Último Amante

Filho, não passes distraído ao lado do amor que te destino. À luz da obscuridade, tenho ainda a minha beleza, verás; o meu ocaso é mais ardente do que as primícias de qualquer jovem.

Não te deixes tentar pelo amor das virgens. O amor é uma arte difícil em que as jovens são pouco versadas. Darei de presente ao meu último amante toda a arte que aprendi. Uma vida, em suma.

Serás o meu último amante, eu sei. Esta é a boca que fez empalidecer de desejo uma cidade inteira. Estes, os cabelos, esses mesmos que foram celebrados num poema da grande Safo.

Para teu gozo, farei um ramo de tudo o que me resta da minha perdida mocidade.
Toda a memória será consumida nesse instante. Ofereço-te o mais precioso
- a flauta de Lykas, a faixa de Mnasídica,
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 Louÿs, Pierre. O Sexo de Ler de Bilitis (Les Chansons de Bilitis). Lisboa: Relógio D'Água Editores, 2010, p 339 (Prefácio e tradução de Maria Gabriela Llansol).
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018


                      CXVI

                A Criadagem


Quatro escravos me guardam a casa. À porta
tenho dois robustos trácios; na cozinha, um siciliano
e, para o serviço de quarto, uma frígia dócil e muda.

Os dois trácios são belos homens.
Usam um varapau para expulsar os amantes pobres
e um martelo para pregar na parede as coroas que me enviam.

O siciliano é un cozinheiro excepcional;
paguei por ele doze minas. É incomparável a cozinhar
bolinhos fritos e pastéis de papoulas.

A frígia dá-me banho, penteia-me, depila-me.
De manhã, dorme na minha cama
e, três noites por mês, substitui-me junto dos amantes.
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 Louÿs, Pierre. O Sexo de Ler de Bilitis (Les Chansons de Bilitis). Lisboa: Relógio D'Água Editores, 2010, p 267 (Prefácio e tradução de Maria Gabriela Llansol).
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                        LXXV

          Palavras na Noite


Descansamos, os olhos fechados, envoltas
no silêncio profundo que paira sobre a nossa cama.
Inefáveis noites de verão! Mas ela, que me crê adormecida,
pousa a sua mão ardente no meu braço.

Sussurra: "Estás a dormir, Bilitis?". Meu coração
estremece e, sem responder, continuo a respiração pousada
de uma mulher deitada nos seus sonhos.
Ouço o que me diz perfeitamente.

"Já que não podes ouvir-me, diz ela, ah!, como te amo!"
Diz e rediz o meu nome: "Bilitis... Bilitis...",
e aflora-me com as pontas trémulas dos seus dedos.

"É minha esta boca! Só minha! Haverá outra
que se lhe iguale neste mundo? Ah!, meu tesouro,
meu bem! São meus estes cabelos, esta nuca e estes braços nus..."
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Louÿs, Pierre. O Sexo de Ler de Bilitis (Les Chansons de Bilitis). Lisboa: Relógio D'Água Editores, 2010, p 183 (Prefácio e tradução de Maria Gabriela Llansol).
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