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domingo, 23 de junho de 2019

A primeira fase da poesia de Essénine decorre até 1916 (início de uma nova fase, a segunda!). É nesta primeira fase que o poeta desenvolve uma edenização da Rússia rural: sua paisagem, seus costumes, sua religiosidade.
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Je suis berger, mes palais
Les champs mouvants les dessinent;
Les pentes vertes résonnent
Du cri sourd des bécassines.

Jaune écume des nuages,
Dentelle au-dessus des bois...
Les pins dans l'air somnolent
Semblent murmurer pour moi.

La rosée des peupliers
Dans la pénombre m'éclaire.
Je suis berger, et les champs
Sont mes demeures princiêres.

Les vaches hochent la tête,
Leur langue m'est familière;
Les chênaies, l' encens des branches
Me convient à la rivière.

Loin du malhueur des humains,
Je dors dans un arbrisseau.
Je prie l' autre rougissante,
Je communie au ruisseau.
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(1914)
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Essénine, Serguei. L' Homme noir. Belval: Éditions Circé, 2005, p 47 ( Choix, présentation et traduction de Henri Abril).
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sábado, 22 de junho de 2019


               Houligan


La crotte des saules dans les prés,
Les balais de la plui la nettoient.
Rechache, vent, tes jonchées de feuilles,
Je suis un houligan comme toi.

Et j'aime que les fourrés épais,
Ausse lourds que les boeufs dans leur marche,
Souillent jusqu'aux genoux les hauts troncs
En râlant du ventre et du feuillage.

Le voilà bien, tout mon troupeux roux!
Qui mieux que moi pouvait le chanter?
Je vois des traces de pas humains
Que le crépuscule vient licher.

Ma Russir, ô ma Russie de bois!
Je suis ton seul héraut, ton seul chantre,
Et mes vers tristes comme des bêtes
Sont nourris de réséda, de menthe.

Fais luire, ô nuit, la cruche de lune,
Qu'un lait de bouleaux y coule enfin!
Avec ses bras en croix le cimetière
Semble vouloir étrangler quelqu'un.

L'effroi noire rôde sur les collines,
Versant au jardin un air brigand.
Mais pur bandit je le suis moi-même,
Et voleur de chevaux par le sang.

Qui n`a vu bouillonner dans la nuit
Une troupe d`ardents merisiers?
Cela m`irait, dans la steppe bleue,
D`être avec un gourdin, embusqué.

Ah, ma tête-buisson s`est fanée,
Dans la geôle chantante on m`enterre;
Au bagne des sentiments il faut
Faire tourner le meule des vers.

Mais ne crains rien pour mes chants, vent fou,
Recrache les feuilles calmement:
Malgré ce sobriquet de "poète",
Comme toi je reste un houligan.
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( 1920)
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 Essénine, Serguei. L' Homme noir. Belval: Les Éditions Circé, 2005, pp 129-131 (Choix, présentation et traduction de Henri Abril).
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Sergeï Essenine


Serguei Essénine (21/9/1895-28/12/1925) é juntamente com Brodsky, Akhmatova, Pasternak, Blok, Mandelstam, Maiakovkski e Tsvetaeva, um dos maiores poetas russos de todos os tempos. Em apenas quinze anos (1910-1925) escreveu toda a sua vasta e fabulosa obra literária. A sua vida social, política e afetiva foi igualmente voraz e cheia: tanto o podemos ver recitando os seus versos para a czarina Alexandra (nos últimos tempos do Império) como logo o veremos integrado no grupo dos socialistas revolucionários. A sua vida afetiva e social foi também recheada de escândalos, bebedeiras e detenções, que talvez tivesse o seu quê de vantajoso para a divulgação de si enquanto génio. Da grande quantidade de relacionamentos afetivos que teve, foram os mais importantes: Zinalda Raikh, a sua primeira mulher e mãe dos seus filhos; a grande Isadora Duncan, mais velha do que ele 18 anos e com quem viajou pela Europa e EUA: o poeta Anatoli Marienhof e Sophie Tolstoi, neta de Leon Tolstoi e sua última mulher. Estes relacionamentos nem sempre foram fáceis - exemplos: o divórcio com Isadora Duncan foi por correspondência; a relação mais duradoira que teve foi com o poeta Marienhof, que, contudo, não durou mais do que três anos e soçobrou no outono de 1923, apesar de ter dedicado ao seu par alguns dos seus poemas. O relacionamento de Essénine, com os seus escândalos, as suas bebedeiras, as suas rixas, tornaram-no incómodo para a nova Rússia comunista, acrescentando-se ainda o facto de ele não esconder o seu antissemitismo, quando se sabia já que um dos seus maiores amigos havia sido preso e imediatamente fuzilado por pertencer a um grupo fascista. No dia 28 de dezembro de 1925, algum tempo após ter regressado de um internamento de desintoxicação de alcoolismo.  Essénine é encontrado enforcado no seu quarto, a tese de suicídio de alguém tão incómodo é hoje contestada pela hipótese de assassinato na Rússia de Estaline, contudo, a 31 de dezembro são-lhe feitas grandiosas cerimónias fúnebres a expensas do governo e o corpo de Essénine foi deposto no cemitério de Vagankovo, em Moscovo. Da sua obra, geralmente dividida em quatro grandes fases, segue-se o poema Houligan  pertencente à 3ª fase, que engloba toda a produção que vai do imaginismo de 1919 até ao regresso da sua viagem ao ocidente em 1923. 
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