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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
O teu corpo aparece e desaparece
com a velocidade do ar
num incêndio. Ou num eclipse.
É a solidão de um homem
sentado diante do mar. E perguntas:
o que vê ele na escuridão da noite
se chove intensamente?
E aguardas que na garganta
se dissolva o que não escutas.
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Velhote, Jorge. Âmago. S/c.: Edições Sem Nome, 2018, p 37.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
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Os pássaros regressam adejando contra o vento.
Contemplas as nuvens como se roçasses
a tua carne despida.
És como o vento ferindo as pálpebras
ou o assobio que zune incontido nos ouvidos
a mais pura das solidões
ou a eternidade do sofrimento.
São húmidos os lençóis da noite
e obsceno o coração não cessa de vibrar
como osso ensanguentado.
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Velhote, Jorge. Âmago. S/c.: Edições Sem Nome, 2018, p 29.
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