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quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Quero dizer-vos que estou aqui
e me pergunto de onde venho,
como cheguei,
quem me pegou na mão e disse:
Vem e fala, vem e escreve.
E eu falei e eu escrevi.
Depois foi só esperar
que a voz soubesse
o recado das ondas
e as palavras fossem o trilho
onde toda a aventura é uma campina aberta
à espera da semente que a fecunde.
Não sei se sou a terra ou sou o grão,
se sou a mão ou o arado.
Sei que vou continuar na voz do vento,
no vaivém das marés,
sem perguntar se vasta é a planície,
quem me espera na outra face da Lua.
Ninguém me deu o livro das verdades,
mas eu vou.
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Quitério, Licínia. Travessia. S/c.: Poética Edições, 2019, p 62.
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quarta-feira, 13 de novembro de 2019
A minha terra é a cama onde me deito,
a mesa dos manjares e da tristeza,
o braço amigo mesmo longe,
mesmo frio.
A minha história é a da outra
que foi pelos caminhos
do cristal e da ferrugem
e voltou pálida e estranha,
com olhos plenos de paisagens
onde navegavam árvores ardentes.
Os ossos das casas espreitam
o latido dos cães,
a pressa das lagartixas.
Mas há o debrum azul
a serenar tempestades,
o oiro matinal a engravidar searas,
o luar a amparar os fugitivos.
Assim a terra onde me vivo,
me prossigo.
Por vezes canto e espero.
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Quitério, Licínia. Travessia. S/c.: Poética Edições, 2019, p 26.
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