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sábado, 11 de março de 2023


Trabalho sem luz sobre ritmo e palavras
é uma pancada mano a mano sem medo
e batota forjada nas campanhas de pesca
que descarada melancolia nós levamos


É uma pancada mano a mano sem medo
felizes os amores na terra invisível
camisolas de jogo com o cromo de cada um
amaciando a espera, um textinho no telefone


Felizes os amores na terra invisível
é complicado a terra assim sem mostrar
o joelhinho ao sol, o perfume a favor
todo o tempo do mundo para lembrar


  Hugo Milhanas Machado. Sarilho da Berlenga Futebol Clube. Fafe: Editora Labiirinto: 2022, p 45.
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sábado, 27 de junho de 2020


CURVAVAM LONGE OS BRAÇOS DESSE ABANDONO
E nada mais podia sacudir a terra, eira negra
Não saber o curso da estrela, talvez
Não saber o curso da estrela.
Tão pequena luz no céu recolhida
Que a gente nem sabe o nome, mas confia
Pode ser um lugar para nós, pode ser.
Recordas a paz do Verão e as letras cantadas
Esse país imaginado nos colos da fantasia
Gelados e fuligens para situar o amor.
Nada mais mexia a terra de que nos falavam,
Mas valia a urgência dessa frase começada
A brincadeira nas figuras, velhos bailados
Para começar o corpo, apagado tambor.
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   Machado, Hugo Milhanas, Estrela Tambor. Fafe: Editora Labirinto,  2020, p 37.
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sexta-feira, 26 de junho de 2020


ESTRELA TAMBOR OS TEUS BAILES
Tomar-te as mãos só para ver descer
Mais longe um sol, o recorte de altas montanhas
Como morada do amor, o mar futuro.
Sigo os acordes da estrela tambor, ela dura
Ela percute a sólida onda dos carinhos
Estrela tambor, tu sabes, no rumor das linhas.
Nomeias a fúria, a casa de viver, voltar depois
O âmbar de guardar o sono conjunto, pequeno
País na quente manhã da vontade.
Sigo o pulso da estrela tambor, bateria
No oceânico fio de memória a sul
Bateria no enigma dessas altas montanhas
De subir o definitivo lugar da paz.
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 Machado, Hugo Milhanas, Estrela Tambor. Fafe: Editora Labirinto, 2020, p 35.
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sábado, 16 de maio de 2020


Falou nesse palácio mas só rei
terna passagem nos navios
que nos faz bem fora de nós
seguir o macio desses sossegos


A segunda terra já depende do salto
mas depois é toda ela balão em luz batido
e madeira pisada naquele lugar
o estranhamento neste novo passo começado


Esse vai ser o meu navio presidente
parece tanto o grosso silêncio dos minutos
embala lento desvia a luz e
lá em casa armando o viajante


   Machado, Hugo Milhanas. Supertubos, Poemas 2005-2015. Lisboa: Enfermaria 6, 2015, p 88.
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sexta-feira, 15 de maio de 2020


Entusiasta contigo estoura a rua
e diz aquela vontade até ao fim
que juntos não é juntos somos manos
e a tábua amiga de um instrumento


É tão guloso aquele mexer africano
sacudindo limpo o corpo na gente
que palavra é palavra de lugar torto
e diz aquela vontade é o sal é o sul


quem não queria tudo assim sozinho
e ruas onde de repente de novo somos
maratona e limo o pisar por aí abaixo e
um rio devagar de um falar devagar
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Machado, Hugo Milhanas. Supertubos, Poemas 2005-2015.  Lisboa: Enfermaria 6, 2015, p 26.
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