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quinta-feira, 26 de junho de 2025


Comemoração dos cem anos do nascimento da Poeta Glória de Sant' Anna.
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      glória

florescem os instantes e tu desenhas
(na atenta doçura dos versos)
o cair da cacimba
a ressonância dos búzios
o oiro da tarde espraiando-se
igualmente sobre a página

as coisas rebrilham e os teus olhos
pousados
no azul fulgurante da baía
chamam a ser
(tudo)
até o injusto que a norma oculta
um menino nu
a negra morta
esquecida
entre os ramos secos
e o canto das aves

florescem os instantes e tu inscreves
(humanos e natureza)
com tua imaginação límpida
tua acuidade e memória
para que o real não pereça
mas acene
em sua serenidade e glória


  Victor Oliveira Mateus in "Silêncio Aberto, 100 Anos/ 100 Autores". Lisboa: Guerra & Paz, 2025, p 290 (Coordenação de Inez Andrade Paes).
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sexta-feira, 14 de julho de 2023


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Dois poemas em inglês publicados recentemente na Atunis Galaxy Anthology 2024 - World Poetry. O presente número encontra-se online e foi editado a partir da Bélgica.

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sábado, 14 de janeiro de 2023

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A minha gratidão para o António José Cravo, excelente diseur de poesia, que com pertinácia vem mantendo esta rubrica dedicada à dita arte.
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quarta-feira, 6 de julho de 2022


           margem

 

afinal não era difícil

 

 tranquei as portas

entaipei as janelas

calafetei todas as frestas

 

 deixei num estendal perdido

rodilhos robertos restos

 

 e trouxe para dentro

os livros a música os amigos

apenas os mais leais

 

 e digo entredentes

fodam-se uns aos outros

que a mim não fodem mais

 

 (Inédito)

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022


a psicanálise do fogo

 

 trago-te para o meio do adro

lanço-te o fogo

crepitas no meio do círculo

e dos cantares

 

 ardes

há um incontornável apelo da combustão

que não consigo evitar

brasas madeiro ou êxtase

tanto se me dá

 

 trago-te para o meio de tudo

uma chama lambe-te até ao topo

avivas-me coisas muito antigas

talvez mesmo da infância

 

 ardes

ardes e eu ardo contigo

sem saber modo nem razão


Victor Oliveira Mateus. Madeiro, Fólios de Poesia II. Penamacor: Câmara Municipal de Penamacor, 2021, p 47.


  

 

 

 





 

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

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Uma agradável surpresa de Gisele Wolkoff no Youtube.
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         Poema para Jacqueline


partió
la que traía el firmamento
apresado en la mirada


la que ordenaba las mañanas
aun cuando la noche
nos amenazaba


partió
la que dibujaba lámparas
en los márgenes del alquitrán


y derramaba poesía
más allá de todas las fronteras


partió
pero también quedó
serena y resplandeciente
en la inmensidad
de este misterio que nos rodea


   Victor Oliveira Mateus. Sembradora de poesía, Cosecha para Jacqueline Alencar. Valladolid: editorial Azul, 2021, p 13 (Traducción de A. P. Alencart).
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                   Poema


procuro um poema
um poema que fale de antonio colinas
mas      como condensar tal tema
em três/ quatro estrofes?


para falar de colinas
teria de apreender
tanta tanta coisa:
      um bosque de sonhos
      rios de sombra
      estátuas mutiladas
      córdoba epidauro mozart


são 10:35h da manhã
lisboa brilha de humanidade e sol
como a poesia de colinas
qu'insisto em perscrutar
mas que sempre me escapa
numa grandeza que acena
e resplandece


  Victor Oliveira Mateus. El ciego que ve, Antología en homenaje a Antonio Colinas - XXIV Encuentro de Poetas Iberoamericanos. Salamanca: Edifsa, 2021, p 174 (Antólogo Alfredo Pérez Alencart).
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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

 

Seis poemas de vários livros meus surgiram na Revista Italiana Perigeion de 2021/10/20.  A tradução desses textos é da autoria de Marcela Filippi.

Aqui:  https://perigeion.wordpress.com/2021/10/20/victor-oliveira-mateus-poesie/?fbclid=IwAR07Km70QOfNta39wxwwAmTOOh96a9WDNMKgnD7zS_Uc0cL3kncdAqgWYwY

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segunda-feira, 14 de junho de 2021


         receita para um incêndio


senta-te logo de manhã
no banco do jardim
espera que as mimosas
te cubram d'amarelo os ombros


finge-te distraído
envolve-te com todo o sol
que consigas


escancara a porta da tua casa
para que a armadilha não falhe
abre igualmente as janelas
todas as janelas
e o coração sobretudo o coração


quando escutares uns passos decididos
e a presa entrar (por fim) em tua casa
unta-te com os mais finos óleos que encontrares
e incendeia-te
arde
como só as coisas raras o sabem fazer


   Victor Oliveira Mateus. uma casa no outro lado do mundo. Fafe: Editora Labirinto, 2021, p 46 (Posfácio de Fernando Pinto do Amaral).
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domingo, 13 de junho de 2021

      zenão de cítio


estimados caminhantes
que quereis vós desta casa
aqui nada há que vos possa interessar
o riso fácil
os transes de afrodite
os desmandos de dionysus
ou as conspirações da ágora


aqui só teríeis o rumor do vento
a limpidez dos regatos
a solidão das bétulas e dos cedros
a cadência do destino
e sobretudo
este silêncio
que levei décadas a construir


estimados caminhantes
passai de largo
preferi antes
quem convosco se harmonize


passai de largo
e
libertai-me a soleira
quer venhais por mal ou por bem
afastai-vos
não vá eu ter de vos soltar os cães


  Victor Oliveira Mateus. uma casa no outro lado do mundo. Fafe: Editora Labirinto, 2021, p 34 (Posfácio de Fernando Pinto do Amaral).
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sábado, 12 de junho de 2021

 
   a arte de mal cavalgar toda a cela


enganei-me
não era esta a rua que procurava
não era esta a cidade
nem sequer a porta


as figuras também não eram estas
as que eu procurava
não tinham assim os olhos
tão ávidos
tão cheios e tão secos ao mesmo tempo
tão esganados e dementes


não sei como vim aqui parar
aqui até os cães dançam
à volta de si próprios
e as árvores (envergonhadas)
lançam as raízes para fora da galáxia


enganei-me
aquilo que procurava
não tinha este bolor
esta pátina cheirando a vazio e uso
estas pústulas a torpedearem-me o caminho


vou-me embora
tanta felicidade não me faz bem ao coração
devolvam-me - por favor - a cela de onde vim


 Victor Oliveira Mateus. uma casa no outro lado do mundo, Fafe: Editora Labirinto, 2021, p 32 (Posfácio de Fernando Pinto do Amaral).
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

 

O poema Partida do livro Regresso (Editora Labirinto, 2010) traduzido para castelhano pelo Prof. Alfredo Pérez Alencart

Aqui:  https://salamancartvaldia.es/not/259275/partida-victor-oliveira-mateus-traducido-castellano/?fbclid=IwAR1jRgtQsOLnayx-t5LsvI1QpDwii-4VUKlljK1q3cT2mUuvAR6N-FwU0uc

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sexta-feira, 27 de novembro de 2020


 
Para onde me caiu a palavra,
a imortal (1) solidão, que se levanta
por detrás de um íngreme desfiladeiro;
por detrás das imagens,
que, pesadas, sufocam este sono
de onde nunca ninguém regressou?


Para onde me caiu a palavra,
o desistente olhar, que, sem coração
nem brilho, apenas desenha
esse implacável incêndio,
onde a morte é uma flor
bem no centro do vazio?
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(1) Primeiro verso e título de poema de A Rosa de Ninguém. Tradução de João Barrento.
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  Mateus, Victor Oliveira. A Norte do Futuro, Antologia de Homenagem a Paul Celan no centenário do seu nascimento. S/c.: Poética Edições, 2020, p 94 (Organização e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado).
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domingo, 22 de novembro de 2020


                             Cidade Incompleta

     Deja, oh rico!, comer lo que te sobre,
     porque algo más que un perro será un pobre,
     y tú no querrás ser menos que un lobo.

      José María Gabriel y Galán, A un rico


Se a cidade se impõe pelos excessos
de farta luz, pela abundância
de risos, de ruídos, 
desses desmandos com que me cruzo,
rua após rua, na voracidade
de um tempo sem contornos.


Se a cidade não é mais do que este enfeite
com que os possidentes se convencem,
enquanto desenham seu desnorte
e as sobras apodrecem nos intervalos da fome.
Então, não é cidade nem é nada,
mas rumo sem glória nem meta;
estação inacabada 
vereda incompleta.
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 Mateus, Victor Oliveira. Regreso a Salamanca, Antología en homenaje a Gabriel y Galán. Salamanca: Edifsa, 2020, p 84 (Selección y notas de Alfredo Pérez Alencart).
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terça-feira, 28 de abril de 2020

pré-publicação.


          Ritual 


Puso la manzana en la mesa.
Una pequeña mesa
entre el revestimiento y un montón de libros.
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Muevo la persiana hasta abajo
para que el crepúsculo
se ajuste al silencio.
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Una lámpara de halógeno
se asoma por detrás
de los estantes
cerca de la ventana.


Desde el interior de la casa
ni el ruido de las tuberías
ni el estallido de los muebles.


Todo está en su lugar debido
y el mundo está bien hecho.
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Entonces me acuesto
en el sofá del fondo
y empiezo a pensar en ti
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  Mateus, Victor Oliveira Mateus. Aquello que no tiene nombre. Cidade do México, Abismos Editorial, 2020, p 32.33.
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Nota - não creio que venha a estar à venda em Portugal, mas pode ser encontrado em livrarias e plataformas online, como por exemplo a Wook.
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Pré-publicação:
o Festival Iberoamericano de Poesia de Salamanca deste ano terá como patrono José María Gabriel y Galán (28/06/1870-06/01/1905). Em torno deste poeta organizar-se-á uma obra, que integrará textos seus e de autores atuais de vários países, segue a minha colaboração:
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                                Cidade Incompleta


                                             
                                     Deja, oh rico!, comer lo que te sobre,
                                     porque algo más que un perro será un pobre,
                                     y tú no querrás ser menos que un lobo.

                                          José María Gabriel y Galán, A un rico



Se a cidade se impõe pelos excessos
de farta luz, pela abundância
de risos, de ruídos,
desses desmandos com que me cruzo,
rua após rua, na voracidade
de um tempo sem contornos.


Se a cidade não é mais do que este enfeite
com que os possidentes se convencem,
enquanto desenham seu desnorte
e as sobras apodrecem nos intervalos da fome.
Então, não é cidade nem é nada,
mas rumo sem glória nem meta;
estação inacabada,
vereda incompleta.




                                                Victor Oliveira Mateus
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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Nota: o segundo poema traduzido pela poeta e académica Profª Liliana Popescu pertence a uma antiga Antologia dedicada ao Natal, cujo original segue aqui. 
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Pré-publicações: um poema de Aquilo que não tem nome e outro de uma Antologia sobre o Natal sairão brevemente em Revista Literária da Roménia numa tradução da Profª Dra. Elena Liliana Popescu da Universidade de Bucareste. Oportunamente serão acrescentados os elementos bibliográficos.
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       POEZII de Victor Oliveira Mateus 
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           Adu-mi un timp 
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Adu-mi un timp fără mister.
Un timp fără pată și curat,
cu mine așezat pe prag
între zumzetul insectelor
și cantinela bărbaților din tabără.
Dă-mi înapoi gesturile pe care le credeam pierdute.
Nu-mi vorbi despre călătorii!
De orașele în care nu am trăit, de corpurile pe care le-ai consumat
în aventuri mai mult sau mai puțin frustrate,
când nu eram nici măcar o iluzie.
Să taci despre ceea ce mă dezarmează,
sau îmi aduce monotonie:
imaginea acelor baruri unde ai băut,
în acele nopți în care te înghesuiai cu alții
și eu nu treceam de o imposibilitate
fermentând într-un peisaj
învins dinainte.
Acordă-mi din nou acel timp fără mister,
timp cristalin,
un timp de nebunie și inocență,
 un timp de dorințe transparente,
de corpuri fierbinți și simple
cum doar lucrurile pure reușesc să aibă.
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Mă întorc la copilărie încă
o dată. La flacăra verde
dintre pini. La umezeala
mușchiului ce se întinde
pe cărări și poteci
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niciodată văzute. Revin la jocul
cristalin al oglinzilor. La cântecul
refracție a râurilor
 hrănind livezi și plaje.
Mă întorc în țara mea, mereu
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visată și mereu incompletă;
țară foarte veche, unde bărbații
păstrează dimensiunea exactă
a magilor și a zeilor. Înapoi,
din nou, la copilărie: fantastic
loc de unde nu am plecat niciodată.
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Prezentare și traducere de Elena Liliana Popescu.
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sábado, 4 de janeiro de 2020

Duas novas traduções de um poema de um livro meu datado de 2004.
Publicadas aqui: https://www.facebook.com/notes/marcela-filippi/qu%C3%A9-voz-llora-por-m%C3%ADquale-voce-piange-per-me/3256311297731377/?hc_location=ufi
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Quale voce piange per me
dall'altra parte delle grandi pietre? Quale lamento? Quale mormorio
attraverso la debole ombra degli arbusti? Forse è il vento: il colpo
di uno strano vento oceanico sul mio volto mentre dormo.
O forse è il sole che annodandosi alle lunghe nuvole, poi cade verticale
sul mio corpo. O potrebbe - Cosi lo sa? - anche non essere nessuna
di quelle cose; forse solo lo sfuggente sibilo di un rettile
nella sua astuzia per tentarmi.

Ma no, nulla di tutto ciò potrà piangere per me dall'altra parte
delle grandi pietre. Nulla, a meno che non sia l'eco dei tuoi occhi;
il blu sdilinquito di quegli occhi in cui il mio sogno era una nave
illusoria e le parole naufragavano nella radice del mio desiderio.
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Mateus, Victor Oliveira. Pelo Deserto as Minhas Mãos. Carcavelos: Coisas de Ler, 2004, p 15 (Tradução de Marcela Filippi).
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Qué voz llora por mí
al otro lado de las grandes piedras? Qué lamento? Qué murmullo
por entre la débil sombra da los arbustos? Tal vez sea el viento: el
golpe de un extraño viento oceánico en mi rostro mientras duermo.
O tal vez sea el sol, que angarzándose a las largas nubes, cae después
vertical sobre mi cuerpo. O también - Quién sabe? - tal vez no sea ninguna
de esas cosas: tan sólo el huidizo silbido de una reptil en su
astucia para tentarme.

Pero no, nada de eso podrá llorar por mí al otro lado
de las grandes piedras. Nada, a no ser el eco de tus ojos; el azul
desmayado de esos ojos donde mi sueño era un barco ilusorio
y las palabras naufragaban en la raíz de mí deseo.
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Mateus, Victor Oliveira. Pelos Deserto as Minhas Mãos. Carcavelos: Coisas de Ler, 2004, p 15 (Tradução de Freddy Castillo Castellanos).
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Ver também aqui:  http://intraduzionisolmar.blogspot.com/2019/12/que-voz-llora-por-mi-quale-voce-piange.html?m=1 
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