quarta-feira, 29 de outubro de 2025
terça-feira, 12 de agosto de 2025
LECCIÓN DEL RUISEÑOR
1.
Clavícula que inclinas levemente
la postura del mundo
y a mí, contigo en él.
Clavícula, sostienes
que la palabra frágil
protege por sí sola
desde fuera
el interior
de los cuerpos que aman:
partículas que flotan inconscientes,
amantes que comparten sin saberlo
su huella dactilar.
2.
Libélula que erizas al posarte
la superficie cálida del agua,
pósate sobre mí.
3.
Sé que existe el dolor;
yo prefiero cantar sobre el consuelo:
lección del ruiseñor.
*-*-*
A LIÇÃO DO ROUXINOL
1.
Clavícula que inclinas levemente
a posição do mundo
e a mim, contigo nele.
Clavícula, sustentas
que a palavra frágil
protege por si só
a partir do exterior
o interior
dos corpos que amam:
partículas que flutuam inconscientes,
amantes que partilham sem o saber
a sua impressão digital.
2.
Libélula que levantas ao pousar
a cálida superfície da água,
pousa sobre mim.
3.
Sei que a dor existe;
eu prefiro cantar sobre o consolo:
lição do rouxinol.
*-*-*-*-*
AGOSTO, PERSEIDAS
1.
El universo es simple;
se compone de dos elementos:
de vida que genera poemas
y de poemas.
O al menos eso fue lo que dijiste.
Las flores amarillas sublevadas
brillaban en la sombra
mientras el sol caía
tras la colina verde.
La noche lentamente discernía
la división de las formas:
las que brillan por sí,
las que se desvanecen.
Era agosto, Perseidas.
Nuestros ojos brillaban.
Porque la luz requiere energía,
pero la oscuridad se cierne sola.
O al menos eso fue lo que dijiste.
2.
Escuchar una voz
como quien oye Perseidas:
sonido de las perlas al caer
sobre un suelo de mármol
o un mar que se retira
para no regresar.
Sonido sucesivo amortiguado,
me sorprende tu voz,
me sorprende que exista,
que las voces existan.
3.
No es posible agotar
sin ser vencido
el oscuro motivo
de la luz y la sombra
en una habitación.
4.
Palabra más memoria es igual a presente.
Como este poema:
cadáver exquisito enviado a uno mismo
para que otro responda.
Era agosto, Perseidas.
Nuestros ojos brillaban
como las flores amarillas
en la colina verde.
Qué distinta la noche.
La división de las formas.
Las que brillan por sí.
El universo es simple.
O al menos eso fue
lo que dijiste.
*-*-*
Agosto, Perseidas
1.
O universo é simples;
compõe-se de dois elementos:
de vida que gera poemas
e de poemas.
Ou pelo menos isso foi o que disseste.
As flores amarelas revoltas
brilhavam na sombra
enquanto o sol se punha
atrás da colina verde.
A noite distinguia lentamente
a separação das formas:
as que brilham por si,
as que se desvanecem.
Era agosto, Perseidas.
Os nossos olhos brilhavam.
Porque a luz requer energia,
mas a obscuridade irrompe por si.
Ou pelo menos isso foi o que disseste
2.
Escutar uma voz
como quem ouve as Perseidas:
som de pérolas a cair
num chão de mármore
ou um mar que se retira
para não voltar.
Som consecutivo abafado,
surpreende-me a tua voz,
surpreende-me que exista,
que as vozes existam.
3.
Não é possível esgotar
sem ser vencido
o obscuro motivo
da luz e da sombra
numa sala.
4.
Palavra mais memória é igual a presente.
Como este poema:
delicado cadáver enviado a si mesmo
para que outro responda.
Era agosto, Perseidas.
Os nossos olhos brilhavam
como as flores amarelas
na colina verde.
Que noite tão diferente.
A separação das formas.
As que brilham por si.
O universo é simples.
Ou pelo menos isso foi
o que disseste.
Juan Antonio Bernier (Tradução de Victor Oliveira Mateus)
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quinta-feira, 26 de junho de 2025
sexta-feira, 20 de junho de 2025
domingo, 2 de março de 2025
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
domingo, 2 de fevereiro de 2025
domingo, 1 de dezembro de 2024
sábado, 30 de novembro de 2024
quarta-feira, 27 de novembro de 2024
LEONARDO
Ecco che il grande uccello in volo si è levato:
e l’ampia piana scruta in
alto veleggiando
assorto tra le ali come un
pensiero inquieto
che sale sale ancora,
sfidando l’orizzonte –
nella strettura in fondo, dove s’insinua il fiume,
l’ostacolo intuisce, il
bloco che sbarrava
il passo verso il mare, e
il lago primordiale
tra i colli e le castella,
l’ambiente coi riflessi
tonali tra le canne, le
trecce delle onde
che frangono la sponda,
afferrano le nebbie
e su sulle montagne riposano conchiglie
avvolte tra le rocce, e
solo lui le coglie
nel tempo delle ere precipitate in basso,
in un lontano mare di
forme elementari
in cui la vita sboccia,
non cerca narrazioni
come per primo è il buio e poi la luce che si afferma,
e la natura è piena di
ragioni seducenti
che mai non sono state
nell’arco di esperienza,
prossegue solitario l’intrepido confronto:
occhio che non si arresta
nel cuore del profondo.
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Luca Baldoni. Anno naturale. Firenze: Passigli Editori, 2021, p 53.
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segunda-feira, 11 de novembro de 2024
Leonardo
Eis que o grande pássaro
levanta seu voo:
e a vasta planície
observa-o, no alto, planando
absorto, com suas asas,
como um pensamento inquieto
que se ergue de novo,
fustigando o horizonte –
.
no cenário ao fundo, onde
o rio se insinua,
divisa-se o obstáculo, o
cerco que impedia
a passagem na direção do
mar, e o lago originário
entre colinas e castelos,
o ambiente com reflexos
cintilantes no meio do
canavial, o entrançado das ondas
que rebentam à beira-mar,
atinge a neblina
.
e no cume das montanhas
repousam conchas
emaranhadas entre as
rochas, e apenas ele as alcança
no momento em que mergulha
num remoto mar de formas
elementares
onde a vida eclode, não
procura narrativas
.
já que primeiro são as
trevas e depois a luz que se afirma,
e a natureza está repleta
de sedutoras razões
que nunca haviam estado no arco da experiência,
.
prossegue solitário o
arrojado confronto:
olhar que não se detém no
coração das profundezas.
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Luca Baldoni. Anno naturale. Firenze: Passigli Editori, 2021, p 53 (Tradução de Victor Oliveira Mateus).
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