sábado, 8 de julho de 2023
quarta-feira, 28 de junho de 2023
sexta-feira, 2 de junho de 2023

sábado, 27 de maio de 2023
Livro I: 1 / 1094 a 1 – 1095 a 12(O bem e a atividade humana. A hierarquia dos bens).
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“Toda
a arte e toda a investigação, e paralelamente toda a ação e toda a escolha
tendem para um qualquer bem., ao que parece. Também se tem afirmado, com razão,
que o Bem é aquilo para que todas as coisas tendem.
Mas
observa-se, de facto, uma certa diferença entre os fins: uns consistem em
atividades, e os outros em certas obras, distintas das próprias atividades. E
aí onde existem certos fins distintos das ações, nesses casos as obras são por
natureza superiores às atividades que os produzem.
Ora,
como há uma multiplicidade de ações, de artes e de ciências, os seus fins são
também múltiplos: assim, a arte médica tem por finalidade a saúde, a arte de
construir os barcos o navio, a arte estratégica a vitória e a arte económica a
riqueza. Mas em todas as artes deste género que relevam de uma única
potencialidade (do mesmo modo, com efeito, que sob a arte hípica caem a arte de
fabricar os freios e todos os outros ofícios que dizem respeito ao
aparelhamento dos cavalos, e que a própria arte hípica e toda a ação que se
relaciona com a guerra caem, por suaa vez, sob a arte estratégica, é por esse mesmo
modo que as outras artes estão subordinadas às outras), em todos estes casos,
podemos dizer, os fins das artes arquitetónicas devem ser preferidos a todos os
das artes subordinadas, já que é em vista dos primeiros fins que perseguimos os
outros. Pouco importa, de resto, que as próprias atividades sejam os fins das
ações, ou que à parte dessas atividades, exista qualquer outra coisa, como no caso
das ciências de que temos falado.
Se,
portanto, há, nas nossas atividades, um qualquer fim que desejemos em
si-próprio, e os outros apenas por causa dele, e se nós não escolhemos
indefinidamente uma coisa em vista de uma outra (pois nesse caso proceder-se-ia
até ao infinito, de tal modo que o desejo seria fútil e vão), torna-se claro
que esse fim não poderia ser mais do que o bem, o Soberano Bem. Não é verdade
que, dado tudo isto, que para a condução da vida, o conhecimento desse bem tem
um grande peso, e que, tal como os arqueiros que têm um alvo sob o olhar, para
a condução da vida, o conhecimento desse bem é de um grande peso, e que, iguais
aos arqueiros que têm um alvo sob o olhar, nós poderemos, mais facilmente
atingir o objetivo que convém? Se assim é, nós devemos tentar, mais ou menos
nas suas grandes linhas, a natureza do Soberano Bem, e dizer de que ciência particular
ou de qual potencialidade ele releva. Ser-se-á de opinião que ele depende da
ciência suprema e arquitetónica por excelência. Ora, uma tal ciência é manifestamente
a Política, pois é ela que dispõe quais são entre as ciências aquelas que são
necessárias nas cidades, e quais os tipos de ciências que cada classe de
cidadãos deve aprender, e até que ponto o estudo lhes será exigido; e veremos
ainda que mesmo as potencialidades mais apreciadas estão subordinadas à Política:
por exemplo a estratégia, o económico, a retórica. E já que a Política se serve
das outras ciências práticas e que, por outro lado, ela legisla sobre o que é
preciso fazer e sobre aquilo de que nos devemos abster, o fim desta ciência
englobará os fins das outras ciências; de onde resulta que o fim da Política
será o bem propriamente humano. Mesmo se, com efeito, há aí identidade entre o
bem do indivíduo e o da cidade, de todo o modo é uma tarefa manifestamente mais
importante e mais perfeita de apreender e de salvaguardar o bem da cidade: já
que o bem é seguramente amável mesmo por um indivíduo isolado, mas ele é mais
belo e mais divino aplicado a uma nação ou às cidades.
Eis,
portanto, os objetivos da nossa investigação, que constitui uma forma de
política.
Nós
teremos cumprido suficientemente a nossa tarefa se tivermos dado os
esclarecimentos que comporta a natureza do tema que tratamos, pois, com efeito,
não se deve pretender o mesmo rigor em todas os debates indiferentemente, não
mais do que o que se exige nas produções da arte. As coisas belas e as coisas
justas que são o objeto da Política, dão lugar a tais divergências e a tais
incertezas que se pode crer que elas existem apenas por convenção e não por
natureza. Uma incerteza semelhante apresenta-se também no caso dos bens da vida,
em virtude dos danos que dela frequentemente provêm: já se viu, com efeito,
pessoas perecerem pela sua riqueza, e outras perecerem pela sua coragem.
Devemos, portanto, contentarmo-nos, quando se trata de semelhantes assuntos e
partindo de semelhantes princípios, de mostrar a verdade de um modo
aproximativo e em bruto; e quando se fala coisas assumidamente seguras e quando
se parte de princípios assumidamente seguros, não se pode alcançar senão
conclusões do mesmo tipo. É neste mesmo espírito, desde logo, que deverão ser
acolhidas as diversas perspetivas que formulamos: porque é de um homem culto
não procurar o rigor para cada género de coisas a não ser na medida em que a
natureza do assunto o admita: é evidentemente quase tão insensato aceitar de um
matemático raciocínios prováveis quanto exigir de um mestre de retórica
demonstrações propriamente ditas.
Por
outro lado, cada um julga corretamente naquilo que conhece, e nesse domínio ele
é bom juiz. Assim, portanto, num determinado domínio, ajuíza bem aquele que
recebeu uma educação adequada, enquanto que, numa outra matéria que exclua toda
a especialização, o bom juiz é aquele que recebeu uma cultura geral. Também o
homem jovem não é um auditor adequado às lições de Política, porque ele não tem
nenhuma experiência das coisas da vida, que são, porém, o ponto de partida e o
objeto dos raciocínios dessa ciência. Além do mais, estando inclinado a seguir
as suas paixões, ele não retirará desta atitude nada de útil nem de proveitoso,
já que a Política tem por fim, não o conhecimento, mas a ação. Pouco importa,
de resto, que se seja jovem pela idade ou jovem pelo caráter: a insuficiência a
este respeito não é uma questão de tempo, mas ela é devida ao facto de se viver
ao sabor das suas paixões e que se precipite na perseguição de tudo aquilo que
se vê. Para os irrefletidos desta espécie, o conhecimento não serve para nada,
assim como para os intemperantes; para aqueles, ao contrário, cujos desejos e
os atos são conformes à razão, o saber nestas matérias será para eles de um
grande benefício.
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Aristote. Éthique a Nicomaque. Paris: Librairie Philosophique J. Vrin, 1979, pp 31-39 (Nouvelle Traduction avec Introduction, Notes et Index de J. Tricot); versão portuguesa de Victor Oliveira Mateus.
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quinta-feira, 25 de maio de 2023
O amor é um hábito. Um hábito sem anúncio nem previsão. A dado momento, sem que saibamos como, esse hábito transforma-se em vício: esse vício, essa falta de respeito por nós próprios, a mim manteve-me sempre atento, afastando-me das tempestades em que a maioria dos humanos se vê envolvida. A desconfiança é, pois, uma máscara prodigiosa, com ela protegem-se os vulneráveis, mesmo correndo o risco de lhe arremessarem uma monstruosidade que não possuem. Percebi isto demasiado cedo, na nossa adolescência, por entre os jogos que os três costumávamos inventar. Os segredos são como aquelas montanhas em que o tempo vai reorganizando a poeira, sobrepondo camada em cima de camada: a dado momento, olhamos para trás e começamos a duvidar se algo foi de facto vivido ou se o inventámos para compensar uma falha qualquer. Acompanhado de hábitos e segredos vou-me transformando em fantasma, tento deslizar pela quinta sem que me notem, por vezes penso até que poderia passar através das paredes e das portas que ninguém repararia. Cada um protege-se como sabe e eu escolhi este alheamento sem acusações a nada nem a ninguém. Quando não acreditamos na estima que dizem dedicar-nos, o melhor que temos a fazer é correr a escondermo-nos. Há nos humanos uma propensão para a lamúria e para a acusação, mas de ambas as coisas estou eu livre, o meu isolamento é a minha forma de ser feliz, nele basto-me a mim próprio sem precisar de apontar o dedo a quem quer que seja. Escrever - esse modo de esquadrinhar hábitos e segredos - é uma tarefa dispensável: escreve-se sempre sobre o passado, mesmo quando o presente o atualiza e lhe dá um colorido que pensamos novo. Escreve-se sempre sobre essa fantasia com que decidimos vestir o que não há e, nesse sentido, é uma ocupação gratuita. Tudo isto pensei hoje, logo de manhã, para te falar do meu desinteresse, da minha apatia, enquanto Jamie lá continua tentando pôr ordem: na papelada, na quinta, em mim. Por vezes, olha-me com reprovação ou atira uma frase para que me sinta culpado. Aos poucos, sinto-o a assumir uma responsabilidade que não lhe conferi, e, se não lha conferi, também não lha vou tirar. Nancy passou a manhã ao telefone com Sarah. Julgo haver novidades!
Victor Oliveira Mateus. O Diabo Desceu em Chichester. Fafe: Editora Labirinto: 2022, pp 49-50.
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terça-feira, 23 de maio de 2023
quarta-feira, 10 de maio de 2023
terça-feira, 9 de maio de 2023
quinta-feira, 4 de maio de 2023
terça-feira, 2 de maio de 2023
quarta-feira, 26 de abril de 2023
domingo, 23 de abril de 2023
sábado, 22 de abril de 2023
quinta-feira, 20 de abril de 2023
terça-feira, 18 de abril de 2023
segunda-feira, 17 de abril de 2023
sexta-feira, 14 de abril de 2023
Estás equivocado
si atesoras fortuna,
se consagras tus días al ahorro
precaviendo un mañana
de natural incierto.
Acumulas riqueza
de una materia sin valor alguno.
No hay posesión que valga
lo que vale un instante
de una vida vivida en plenitud.
No cuentes las monedas. No avaricies
otra cosa que el tiempo
que fluye entre tus manos.
Es la felicidad
solo cuanto se escapa y es breve y nada.
Antonio Manilla. Lenguas en los árboles, Antología poética (1997-2022). Granada: Aliar Ediciones, 2023, p 85.
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quarta-feira, 12 de abril de 2023
domingo, 9 de abril de 2023
O livro O anjo entre o deserto e o não,
de Alexandre Bonafim, insere-se numa temática que tem, ao longo dos séculos,
percorrido a cultura ocidental: o deserto enquanto apelo e fonte de saber e de
transmutação do indivíduo que ousa vislumbrá-lo e percorrê-lo. Contudo, essa
persistência temática em diversos autores não conduz a uma homogeneização dos
resultados, já que cada olhar enforma de uma experiencia vivida específica e de
um sistema de valores e de crenças individual; poderemos, eventualmente,
encontrar zonas que se tangenciam nas diversas abordagens, mas sem que a
originalidade de cada uma delas seja posta em causa.
O deserto em Alexandre Bonafim apresenta, assim,
algumas características fundamentais: encontra-se associado ao dizer (O deserto
diz / com simplicidade / a luz); (Dizer o verdadeiro poema/ é sempre ter a
língua amputada); relaciona-se com a interioridade e a ação (Dentro dos meus
pulsos/ um deserto desatou a ira/ dos cavalos selvagens); é apanágio de poucos:
daqueles que decidem empreender a aprendizagem poética enquanto técnica
linguística e que ousam trilhar esse caminho.
O percurso intentado pelo poeta não é coisa pacífica
(Nada no mundo pode abrigar/ essa dor estrangeira/ extraterrena/(…) que perfura
meus ossos/ meus sonhos), é, por conseguinte, não só uma senda eivada de obstáculos,
por vezes tumultuosos, mas sobretudo uma aprendizagem que recusa todo o tipo de
solipsismo; afirma-se antes como um acrescentamento do eu mediante uma relação
dialógica com o meio e com o outro, e são estes os dois últimos vetores o
fundamental deste "O anjo entre o deserto e o não", aliás, tal como aparecem em
grandes escritores de outras nacionalidades. Empreendendo uma dialética em
relação a esse vazio do deserto, o poeta acrescenta ainda a forte presença do
outro, metaforicamente já anunciado no título (anjo): presença desejada,
presença amada, mas muitas vezes também presença como germe de mágoa e de
desalento. A aprendizagem dos afetos é, neste livro e indubitavelmente, uma
apreensão não resultante de um qualquer delírio ou de uma relação fantasiada,
mas de uma constante interiorização obtida através de um complexo e contínuo
diálogo com o mundo natural, com a palavra e com o outro, outro esse, por
vezes, sob a figuração de uma forte proximidade afetiva.
Dialeto
Teu rosto
jorro de uma palavra
na plenitude
de um idioma cego
(...)
Teu rosto
orquídea
melancólica
vermelha
como a fuga
dos garças
rumo ao sul
Há, no entanto, neste livro, uma deliberada urdidura
da ambiguidade, que remete o leitor, em dadas circunstâncias, para uma interconexão
de referentes, como se estivéssemos ante uma encantada casa de espelhos, onde o
poeta tanto pode estar a falar de um outro exterior a si, como de si próprio,
como ainda do cume absoluto da sua arte: o dizer poético, e caberá ao leitor,
recusando todo o tipo de passividade, aceitar o desafio e fazer-se cúmplice
desta aventura poética, deste deserto; um exemplo disto a que poderei chamar
uma ambiguidade triádica poderá ser encontrada no poema Cigano:
Ele caminha entre o silêncio e o não
Nos lábios o veneno
a rosa vermelha
esmagada pela melancolia
Ele sempre busca a ardência
a caricia de um delicado algoz
Outra figuração do deserto de Bonafim pode ser
encontrada na sua maleabilidade estrutural. Dito de outro modo, este deserto
pode surgir nos momentos mais inesperados e nos contextos mais imperscrutáveis:
na infância, no quotidiano, na afetividade (Deitei-me sobre tua pegada// De mim
restou-me apenas/ o leve contorno do teu não), na memória (Entre meus sonhos/
queima o que foi/ o que não foi/ como a faca/ a perfurar na cicatriz/ uma nova
ferida). Poder-se-á dizer deste deserto o que o filósofo Michael Foessel disse
da Noite : “De fato, nem todos os eclipses são astrais: a noite pode surgir em
contextos imprevistos e, às vezes, simplesmente porque os indivíduos decidem
isso “ (1). Também o deserto de Alexandre Bonafim não se deixa espartilhar por
quaisquer mapas ou cartografia, ele é uma instância muito mais lata e rica; é
essa parcela do Ser cujo atravessamento, por vezes sofrido, trará ao poeta uma
nova e enriquecida aprendizagem do Todo. Este tipo de hermenêutica do deserto
pode ser encontrado também em muitos dos poetas portugueses – e foram vários! –
que nas últimas décadas poetaram sobre o tema, veja-se o caso de Isabel
Cristina Pires (2) – no poema Mapa-Múndi: (No mapa do mundo/ há um lugar/ onde
ninguém foi./ Dói-nos/ esplendidamente.) e no poema Este Tempo Rápido do Mundo:
(Este tempo rápido do mundo/ rouba-nos o corpo à dança sem relógio/ e dói no
coração comido pelo nada./ Leva-nos consigo para dentro da aridez). Em ambos os
casos, quer a poetisa portuguesa, quer o poeta brasileiro, filiam-se num
continuum onde o metapoético se mescla com uma espinhosa aprendizagem,
atente-se, a título de exemplo, às palavras de Alexandre Bonafim:
Poética
Poesia se faz
com arame farpado
contra a carne crua
contra a pele nua
Todavia, apesar dos dois poetas perfilharem uma
conceção abrangente do deserto, há na escrita de Cristina Pires um pertinaz
modo de olhar uma temporalidade específica e um cosmopolitismo não detetáveis
em Bonafim, que opta, antes, por uma sensualidade, um erotismo e um alto
lirismo raros na poesia contemporânea escrita em português, aliás, não é por
acaso que ele no seu livro utiliza uma epígrafe de Dora Ferreira da Silva: dois
versos dessa poeta maior que, no século XX, escreveu em português.
Neste livro de Alexandre Bonafim, o deserto desemboca
num enraizamento quadrifendido do caminhante, simbolizando este o humano no seu
passar pelo aqui: o amor-paixão à boa maneira de Stendhal como pode ser visto
no poema Teu abraço; o alcançar de uma regenerada voz poética detetável no
poema Poética; uma recuperação do corpo (do outro amado? Do texto? De ambos?)
como assinala o poema Orgasmo e, finalmente, uma apreensão, em lucidez e verdade,
do eu:
Palavra
secreta
Eu sou o homem dos olhos impuros
mas minha boca pode ver o anjo de seis
asas
Minha boca pronuncia a inocência
do mais ardiloso vício
Eis
a aprendizagem feita através do deserto de Bonafim! Um acolhimento, como acima
se disse, feito em clarividência e autenticidade: do amor, do corpo, da poesia
e do humano. Este deserto demarca-se, portanto, de tantos outros, como o de
Buzzati (3), do qual tudo se esperava e de onde nada de importante vinha, e que
mais não era do que uma mera fronteira de ansiosas esperas: de rituais, de
envelhecimentos e mortes; o deserto de Alexandre Bonafim é, ao invés, uma
mescla de territorialidade e de experiências passionais e ontológicas.
Em O anjo entre o deserto e o não,
numa cuidada urdidura de vaivém, num luminoso filigranado de imagens e de
conseguidos processos de metaforização, Alexandre Bonafim dá-nos o fruto do seu
apurado cismar poético: uma constelação, onde, como já referi, o amor, o corpo,
o humano e a poesia se entrelaçam.
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Notas
(1) Foessel, Michael. La Nuit, vivre sans témoin. Paris:
Éditions Autrement, 2017, p 156.
(2) Pires, Isabel Cristina. Deserto Pintado. Lisboa:
Editorial Caminho, 2007.
(3) Buzzati, Dino. O Deserto dos Tártaros. Barcarena:
Marcador Editora, 2014.
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